Pina Brandi

 
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About the artist

Pina Brandi,

graduated at the Federal University of Rio de Janeiro at the Art School as Bachelor in Painting.

It's a mix of media and traditional art. Read more...


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Reflexões sobre pintura, desenho e arte em geral
Thursday, 30 October 2008 00:00

1- Todas as Artes aspiram à condição de música. (Schopenhauer)


2- Na música e quase só nela, é possível ao artista dirigir-se diretamente à sua audiência sem que entre ambos intervenha um meio de comunicação em uso corrente para outros fins.


3- A mais simples e a mais usual de todas as definições de Arte: Tentativa de criar formas deleitáveis


4-Certos arranjos nas proporções de formas, superfícies e massas dão origem a sensações agradáveis enquanto que a ausência de tais arranjos conduz a reações de indiferença ou até o real desconforto e repulsa. O sentido que registra essas relações formais que nos são agradáveis é o sentido do belo


5- O sentido do belo é um fenômeno muito flutuante, cujas manifestações ao longo do curso da história são muito incertas e por vezes muito desconcertantes.


6- A Arte temos de admiti-lo, não é a expressão plástica de qualquer ideal particular. É a expressão de qualquer ideal que o artista possa realizar em forma plástica.


7- Não há beleza que não inclua certa estranheza em suas proporções.


8- A expressão pode, naturalmente, ser completamente destituída de arranjo formal, nesse caso sua própria incoerência impede que lhe chamemos Arte


9. A finalidade da Arte, que é a comunicação de sentimentos, confunde-se inexplicavelmente com a qualidade da beleza, que é o sentido comunicado por formas particulares.


10-A forma de uma obra de Arte não pode ser avaliada em função do seu grau de complexidade


11 - Deformações de ordem maior ou menor se verificam em toda obra de Arte.


12- É difícil antes da Renascença encontrarmos uma obra de Arte que não se afaste em certa medida da realidade.


13- Um padrão por si só, não constitui uma obra de Arte. Ainda que uma obra de Arte inclua sempre um padrão de qualquer ordem, nem todos os padrões são necessariamente obras de Arte.


14- Uma obra de Arte requer certo grau de complexidade, recusamo-nos a usar o termo em relação a um simples desenho geométrico composto de círculos e triângulos, e mesmo em desenhos intrincados, se bem que perfeitos, de um tapete feito à máquina, ainda que seus padrões possam ser bem equilibrados e simétricos.


15- Aquilo que esperamos realmente encontrar numa obra de Arte é certo elemento pessoal. Esperamos que nos revele algo de original, uma visão do mundo privativa e ímpar.


16- Uma obra de Arte pode ser definida com bastante exatidão como um padrão informado pela sensibilidade.


17- Padrão: definição de uso corrente: o termo subentende a distribuição de linhas e cores em certas repetições bem definidas. Pressupõe certo grau de regularidade dentro de uma limitada moldura de referencia. A complicação seguinte consistiu em abandonar o equilíbrio simétrico a favor de um equilíbrio distribuído. Neste caso a obra de arte tem um ponto de referencia imaginário (análogo a um centro de gravidade) e à volta desse ponto distribuem-se as linhas, superfícies e massa de tal maneira que repousam em equilíbrio perfeito.


18- A finalidade estrutural de todos estes métodos é a obtenção de harmonia, e a harmonia é a satisfação ao nosso sentido do belo.


19- A forma de uma obra de Arte não é mais que a sua configuração, a disposição das suas partes, a sua aparência visível. É claro que quando falamos de forma em relação a uma obra de arte deduz-se que esta forma é de certa maneira especial, que se trata de uma forma que produz em nós certos efeitos.


20- Quando dizemos que uma obra de Arte nos toca, o processo sofrido pelo espectador é de natureza emocional. Quando contemplamos uma Obra de Arte projetamo-nos dentro de sua forma, e as nossas sensações são determinadas por aquilo que lá encontramos, pelas dimensões que passamos a ocupar.


21- A obra de Arte é, em certo sentido uma libertação da personalidade. A diferença essencial entre arte e sentimentalismo é que este é uma libertação, um afrouxamento, um descontrair de emoções, arte é libertação, mas ao mesmo tempo um estimulante das emoções. Arte é economia de sentimentos; é emoção que cultiva boa forma.


22- toda a arte é o desenvolvimento de relações formais e onde há forma pode haver empatia.


23- Não devemos temer a palavra abstrato. Toda Arte é primariamente abstrata. A arte é uma fuga do caos, é a indeterminação da matéria em busca do ritmo, da vida.


24- Será maior o artista cuja inteligência for mais vasta, o homem capaz de ver e sentir não só o objeto que tem em frente dos olhos, mas de vê-lo integrado nas suas implicações universais.


25- Há talvez cinco elementos distintos em um quadro: ritmo de traço/ concentração de formas em massa/ espaço/ luz/ sombra.


26- Toda forma tem que ser definida por um contorno, e este contorno para não para não parecer inanimado, tem de possuir um ritmo próprio.


27- Na concentração de formas, massas, espaço, luz e sombra, estes devem ser estudados em estreita relação uns com os outros. Todos são aspectos do sentido do espaço do artista.


28- Massa é espaço sólido, luz e sombra são os efeitos da massa em relação ao espaço; espaço é simplesmente o inverso da massa.


29- Arte no sentido estrito começa com a passagem de indeterminação a contorno. A arte começa com o desejo de delinear.


30-O traço não desaparece necessàriamente na passagem do desenho para a pintura. O traço é um dos métodos de pintar.


31- Nas mãos de um mestre o traço significa mais do que um simples contorno. Pode exprimir também movimento e volume. É esta qualidade do traço que quando utilizada com discernimento resulta em ritmo.


32- A nossa sensibilidade física projeta-se de certa maneira dentro do traço porque o traço por si não se move ou dança, somos nós que nos imaginamos a dançar ao longo do seu curso.


33- A qualidade mais notável do traço é a sua capacidade de sugerir massa ou forma sólida. O traço é um artifício sumário e abstrato para traduzir um assunto, uma espécie de estenografia pictórica.


34- A característica conhecida por tonalidade também é universal e talvez possa considerar-se uma alternativa de valor igual ao traço como modo de expressão.


35- Tonalidade é uma palavra que se utiliza em mais de uma forma de expressão artística, mas desde os primórdios da crítica de Arte no século XVI, que foi empregada a serviço da pintura.


36- O uso pelos músicos da palavra cromático parece ser tão venerável como o uso de tonalidade pelos pintores.


37-Definição de John Ruskin sobre tonalidade: ‘’A palavra tonalidade diz-me duas coisas: em primeiro lugar designa o relevo exato e a relação dos objetos uns contra os outros e uns com os outros, em substancia e escuro, conforme estão mais próximos ou mais distantes, e a perfeita relação da gradação das sombras com as cores das partes iluminadas, de forma a que possa sentir-se imediatamente que se trata simplesmente de gradações diferentes da mesma luz. ’’


38- O traço é uma abstração, não tem uma relação real com a aparência visual dos objetos. A luz é fluida, é um fenômeno variável que muda constantemente em grau de intensidade e ângulo de incidência. Não pode, portanto ser representada por uma coisa tão estática e definida como uma linha.


39- Chegamos assim a introdução do sombreado: a luz é representada pela gradação entre os pontos extremos de branco e preto. Este processo gradativo de sombrear pode ser usado para representar três qualidades distintas: 1) a passagem da luz para a sombra dentro do campo de uma mesma cor ou de uma mesma massa; 2) numa representação monocromática, a intensidade das diferentes cores em relação a um ponto neutro; 3) o grau real de luminosidade ou escuro em relação à luz principal do quadro.


40- É duvidoso que a escola italiana tenha alguma vez chegado a conceber o efeito visual de uma atmosfera luminosa generalizada. Quando os efeitos de luz começaram a ser estudados pelos primeiros pintores italianos do Renascimento, estes, da mesma forma que encontraram dificuldades em representar o espaço a não ser estratificando-o, sentiram-se incapazes de representar a luz a não ser isolando-a ou focando-a seguidamente em cada objeto representado. O ideal da janela aberta, como se lhe tem chamado, da ilusão de uma atmosfera espacial uniforme só viria a set realizado pela tradição que começa com os Van Eycks, e atinge sua perfeição num pintor como Vermeer.


41- Então, o padrão fundamental do quadro evolui para torna-se um padrão de luzes-sombras num ritmo livre de equilíbrio para se obter efeitos puramente dramáticos e estéticos.


42- O uso natural da cor é extremamente raro na história da arte extremamente difícil de determinar. Quando vemos as cores reais na natureza, sentimo-nos tentados a protestar contra sua irrealidade.


43- À parte esse uso natural da cor podemos distinguir três maneiras que chamaremos:) heráldica;2) harmônica; 3) pura.


44- A maneira heráldica é a mais primitiva, nesta maneira a cor é usada pela sua significação simbólica. A maneira heráldica continuou em vigor até o fim do século XV, quando a tradição medieval começou a ser suplantada por noções de cor mais intelectuais e científicas.


45- A maneira harmônica é a usada de modo geral dos séculos XVI ao XVIII, tem sua origem naquelas considerações de valor tonal. Na prática isto quer dizer que tem que sujeitar as cores a conformar-se com uma escala restrita, seleciona-se o tom dominante do quadro e todas as outras cores são graduadas para cima e para baixo até uma distancia restrita dessa tonalidade dominante.


46- A maneira pura é aquela em que a cor é usada por si mesma, e já nem sequer para comunicar ilusão de forma, e as questões de verossimilhança tornam-se secundárias.
47- Dos quatro elementos constitutivos de uma obra de pintura, a forma é o mais difícil porque traz consigo conceitos de natureza metafísica. Platão a divide em formas relativa e absoluta. Se adotarmos a distinção sugerida podemos dividir as formas alcançadas em uma obra de arte em dois tipos; arquitetônico ou simbólico.


48- A necessidade mais evidente de qualquer composição é simplesmente que haja um princípio coesivo que a mantenha uma em termos físicos, que não permita que o espectador se distraia pela sua inquietude ou falta de equilíbrio.


49- A composição da alta Renascença, triangular, é estática como sobre uma pirâmide. Oposta a essa, há a composição, que embora ainda arquitetônica, construída, é mesmo assim dinâmica e aberta. Observa-se esse fator nas pinturas barrocas.


50- Ao organizar sua composição o artista pode proceder ou por via intelectual ou por via instintiva, ou, e é o caso mais comum, por uma e por outra.


51- É neste aspecto da forma arquitetônica que se incluiria o ritmo. O ritmo em um quadro pode ser resultante não só do contorno das linhas, mas ainda da repetição das massas, geralmente em conseqüências decrescentes. Que tais seqüências sejam frequentemente tríadas não se deve a razão mais misteriosa que o fato de ser três o número em que uma seqüência começa a ser perceptível e que, num quadro, uma seqüência de mais de três massas tenderia a tornar-se evidente em demasia.


52- A forma simbólica é muito mais difícil de explicar. Parece que a Arte tem acesso ao substrato de todos os matizes emocionais da vida, a algo de subjacente a todas as emoções particulares e especializadas da vida real. Traz à superfície os vestígios residuais deixados no espírito humano pelas várias emoções da vida, de forma que nos apercebemos do eco da emoção sem as limitações e a direção que a emoção tinha na experiência vivida.


53- Na obra de arte perfeita todos os elementos se inter-relacionam, se ligam para formar uma unidade de valor maior que a simples soma de suas partes.


54- Quando acabamos de analisar todos os elementos físicos de um quadro temos ainda de levar em consideração este elemento intangível que é a expressão da individualidade do artista.


55- Devemos sempre lembrar que a arte não se dirige à percepção consciente, mas à apreensão intuitiva. A presença da obra de arte não se faz sentir ao nível do pensamento, mas do sentimento; é mais um símbolo do que a afirmação direta de uma verdade.


56- Uma obra de arte é sempre uma surpresa; operou o seu efeito antes de nos termos apercebido conscientemente da sua presença.


57-A estrutura de uma obra de arte nem sempre é evidente: pode consistir simplesmente do equilíbrio sutil de unidades irregularmente dispostas. Mas de uma maneira geral, um pintor, por exemplo, de suficiente coragem toma um esquema de fácil apreensão e dispõe suas massas conforme esse esquema.


58- Tem sido sempre a função da arte dilatar a mente um pouco além dos limites da compreensão. Esta distância para além pode ser espiritual ou transcendental, ou simplesmente fantástica, algures deve passar além dos limites do racional. No dizer de Bacon, a arte deve ter sempre um pouco de estranheza em suas proporções, o que não quer dizer que isto defraude a harmonia.


59- A maioria dos quadros traz consigo uma dispersão da atenção: olhamos primeiro para a figura à esquerda, depois para o grupo à direita, depois para a paisagem distante, e finalmente detemo-nos triunfantes na minúscula figura do burro a atravessar a ponte. Desse modo, vemos que o êxito de um quadro depende da fusão ou coesão final criada na mente do espectador.


60-Qual a distinção entre arte e natureza? Existe alguma diferença essencial entre a beleza da paisagem em si e a beleza representada pelo artista no seu quadro dessa mesma paisagem? Se a arte fosse meramente um registro da natureza, a obra de arte mais satisfatória seria a que imitasse esta de mais perto. Nos termos mais simples, no entanto, podemos dizer que o artista ao pintar uma paisagem ( e o mesmo é verdade sobre qualquer assunto que o pintor escolha) não tenciona descrever a aparência visível da paisagem, mas dizernos qualquer coisa a cerca dela.


61- A arte de ver a natureza é uma qualidade que é preciso adquirir quase tanto como a arte de ler os hieróglifos egípcios ( Constable).


62- A natureza á simplesmente um dicionário, vamos a ela buscar o tom correto, a forma particular, assim como vamos ao dicionário buscar o sentido exato de uma palavra, a sua ortografia ou etimologia; mas não consideramos o Dicionário como uma composição literária ideal que devemos copiar, e também não devemos considerar a natureza como um modelo a ser copiado pelo pintor. (Delacroix)


63- Não se pode esperar que o espectador julgue o quadro pela quantidade ou espécie de esforço despendido na sua execução. O artista deve fazer desaparecer não só todos os andaimes, mas a obra deve demonstrar uma unidade tão espontânea, que dê a impressão de nunca os ter tido.


64- A palavra expressão não significa a elocução espontânea de sentimentos, mas o reconhecimento de imagens ou objetos que contém expressão.


65- O processo artístico se constitui em evocar em nós mesmos uma sensação experimentada, e, tendo-a evocado em nós, por meio de movimentos, linhas, cores, sons, ou formas expressas em palavras, transmitir essa sensação de forma a que outros a experimentem,é esta a atividade da arte (Tolstoi).


66- É preciso criar entre todas as cores que constituem o quadro um equilíbrio tal que chegue um momento em que cada parte tenha encontrado sua relação definitiva, e a partir de então será impossível dar mais uma pincelada sem que seja preciso pintá-lo de novo. (Matisse).

Extraído do livro ‘’O significado da Arte’’, de Herbert Read.

Last Updated ( Friday, 31 October 2008 07:42 )
 

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Bom, estava eu a navegar pela web, quando encontrei este forum que passa uma lista em ordem alfabética de tutoriais para Photoshop.

Pra quem gosta do programa, tutoriais são sempre uma mão na roda, vale a pena conferir.

http://www.babooforum.com.br/forum/index.php?showtopic=412330